O mercado doméstico operou em dois momentos distintos nesta terça-feira: pela manhã, em queda, engolfado pela crise nos EUA, com uma série de indicadores negativos; à tarde, em recuperação, se descolando das turbulências nos EUA, puxado pelas blue chips, motivadas pela alta das commodities.
Nesta terça-feira, entre os indicadores divulgados destaque para o índice de preços no atacado, com o índice de preço ao produtor (ou PPI em inglês) registrando 1,2% em julho pelo índice cheio e 0,7% no núcleo. Em 12 meses, este índice ao produtor já passa de 9,8%. Para piorar os ânimos, os indicadores sobre imóveis vieram aquém do esperado, assim como as perdas contábeis do Lehman Brothers devem ser maiores do que o previsto. No Brasil, uma boa notícia foi a geração de empregos formais neste ano, passando de 1,5 milhão no primeiro semestre.
Sobre o cenário norte-americano, crescem as opiniões dos que acreditam na hipótese de uma recessão neste ano e mesmo no próximo. Esta é a opinião de Keneth Rogoff. Ele, inclusive, acredita possibilidade de quebra de uma grande instituição financeira norte-americana, além de algumas de menor porte. Keneth acredita que o “pior ainda está por vir”. Na segunda-feira, as agências hipotecárias norte-americanas despencaram, com a Fannie Mae caindo mais de 22%, e a Freddie Mac quase 25%, com os boatos de intervenção do governo norte-americano. Lembremos que estas agências são uma espécie de garantia para as empresas que emprestam recursos e compram hipotecas. Ambas garantem estas hipotecas quando os clientes não honram seus pagamentos. Com o mercado imobiliário em crise, a inadimplência vem disparando, prejudicando estas empresas.
Outra instituição a vislumbrar recessão na economia norte-americana é o banco suíço UBS. Para eles, as medidas fiscais e monetárias adotadas pelos EUA, estão perdendo efeito e o país deve ingressar numa recessão. O crescimento deste país deve ficar em 1,3% neste ano e 1,0% no ano que vem e o Fed não deve elevar o juro ao fim deste ano.
Bovespa: o Ibovespa fechou em alta de 0,59%, aos 53.326 pontos. O volume negociado no dia foi de R$ 4,6 bilhões.
Destaques do Ibovespa: Entre as ações que estão listadas no Índice Bovespa, as maiores altas no pregão de hoje foram Cyre Com-CCP ON (+5,09%), Lojas Renner ON (+4,30%) e Petrobras PN (+2,99%). Já as maiores baixas ficaram por conta de Rossi Resid ON (-5,26%), Tam PN (-3,88%) e Duratex PN (-3,21%).
Bolsas norte-americanas: o Dow Jones Industrial Average encerrou suas atividades com baixa de 1,14%, aos 11.348 pontos, assim como, o Nasdaq Composite Index, que fechou o dia com desvalorização de 1,35%, aos 2.384 pontos.
Bolsas européias: na Bolsa de Londres, o FTSE-100 fechou com baixa de 2,38%, marcando 5.320 pontos. No mesmo sentido, o índice DAX-30, de Frankfurt, obteve desvalorização de 2,34%, aos 6.282 pontos. O índice CAC-40, de Paris, fechou em queda de 2,61%, assinalando 4.332 pontos.
Bolsas asiáticas: na Bolsa de Tóquio, o Nikkei 225 fechou com queda de 2,28%, aos 12.865 pontos, assim como, o índice Hang Seng que obteve baixa de 2,13%, marcando 20.484 pontos. Na Coréia do Sul, o índice Kospi fechou aos 1.541 pontos (-1,68%). Em sentido contrário, o índice Xangai Composto, da Bolsa de Xangai, fechou aos 2.344 pontos, alta de 1,06% ante o pregão anterior.