BRADESCO – resultado 2011
Em 2011 o Bradesco auferiu lucro de R$ 11,028 bilhões, contra R$ 10,022 bilhões em 2010, significando crescimento de 10,0%. De sorte que vige o presente Relatório de Recomendação e ficam mantidas nossas tendências para 2012, as quais consideram um primeiro semestre até certo ponto difícil, seja por conta do efeito da sazonalidade que o início do ano acarreta (renda dos agentes mais destinada a amortização de dívidas, pagamento de impostos e gastos com educação escolar), seja diante das incertezas decorrente da Zona do Euro, que têm o condão de ampliar a cautela do Banco em termos de estratégia de crescimento (mormente em linhas de financiamentos externo e ampliação de provisionamentos).
Mas julgamos que o cenário possa melhorar a partir do segundo semestre, afora o Banco registrar bons fundamentos no que tange à liquidez, cobertura para crédito, boa qualidade da carteira de crédito e eficiente área de seguros. A propósito, esta área alcançou lucro de R$ 3,200 bilhões em 2011, com avanço de 10,2%, perfazendo 29,0% do lucro total do Banco.
Especificamente no 4T11, o lucro do Banco foi de R$ 2,726 bilhões ante R$ 2,987 bilhões no 4T10, logo com queda de 8,7%. De nossa parte não houve surpresa nessa queda de desempenho, reflexo de um ambiente econômico mais difícil, o que exigiu ampliação dos provisionamentos para o crédito. Afora isso, com a perda do Banco Postal para o BB e o advento da portabilidade dos servidores públicos, o Bradesco investiu maciçamente na rede de atendimento, sobretudo no Estado do Rio de Janeiro. Mas a boa performance da área de seguros, aliada à ampliação da margem financeira líquida (ganho com juros em crédito), bem como as maiores receitas com serviços, mitigaram a queda do lucro.
A carteira de crédito atingiu R$ 345,724 bilhões (incluindo avais e fianças), com crescimento de 17,2% no ano (e 4,0% no intervalo do 4T11). Em pessoa jurídica, os segmentos que se destacaram foram repasses do BNDES, financiamento à exportação, capital de giro e imobiliário. Já em pessoa física sobressaíram-se repasses Finame (aquisição de veículos pesados), consignado e imobiliário.
Acerca de alguns de seus indicadores temos o seguinte: o ROE de 2011 foi de 21,0% ante 22,7% em 2010, donde levemente pressionado. A inadimplência (acima de 90 dias) registrou trajetória ascendente, saindo de 3,6% no 4T10, para 3,8% no 3T11 e atingindo 3,9% no 4T11, porém mais confortável em relação ao observado no Sistema, de 5,5% (4T11). O índice de cobertura (PDD/inadimplência acima de 90 dias) atingiu 184,4%, perfeitamente adequado. Os JCP+dividendos atingiram R$ 3,300 bilhões, com pay out de 31,5%.